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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Stephen Krashen - Comprehensible Input

Estudo formal X Assimilação


LANGUAGE LEARNING (ESTUDO FORMAL)


O conceito de language learning está ligado à abordagem tradicional ao ensino de línguas, assim como é ainda hoje geralmente praticada nas escolas de ensino médio. A atenção volta-se à língua na sua forma escrita e o objetivo é o entendimento pelo aluno da estrutura e das regras do idioma através de esforço intelectual e de sua capacidade dedutivo-lógica. A forma tem importância igual ou maior do que a comunicação. Ensino e aprendizado são vistos como atividades num plano técnico-didático delimitado por conteúdo. Ensina-se a teoria na ausência da prática. Valoriza-se o correto e reprime-se o incorreto. Há pouco lugar para espontaneidade. O professor assume o papel de autoridade no assunto e a participação do aluno é predominantemente passiva. No caso do inglês ensina-se por exemplo o funcionamento dos modos interrogativo e negativo, verbos irregulares, modais, etc. O aluno aprende a construir frases no perfect tense, mas dificilmente saberá quando usá-lo.
É um processo progressivo e cumulativo, normalmente atrelado a um plano didático predeterminado, que inclui memorização de vocabulário e tem por objetivo proporcionar conhecimento metalinguístico. Ou seja, transmite ao aluno conhecimento a respeito da língua estrangeira, de seu funcionamento e de sua estrutura gramatical com suas irregularidades, de seus contrastes em relação à língua materna, conhecimento este que espera-se venha a se transformar na habilidade prática de entender e falar essa língua. Este esforço de acumular conhecimento torna-se frustrante na razão direta da falta de familiaridade com a língua.
Exemplo clássico de language learning são os inúmeros graduados em letras, já habilitados porém ainda com extrema dificuldade em se comunicarem na língua que teoricamente poderiam ensinar.


LANGUAGE ACQUISITION (ASSIMILAÇÃO)


Language acquisition refere-se ao processo de assimilação natural, intuitivo, subconsciente, fruto de interação em situações reais de convívio humano, em que o aprendiz participa como sujeito ativo. É semelhante ao processo de assimilação da língua materna pelas crianças; processo este que produz habilidade prático-funcional sobre a língua falada e não conhecimento teórico; desenvolve familiaridade com a característica fonética da língua, sua estruturação e seu vocabulário; é responsável pelo entendimento oral, pela capacidade de comunicação criativa, e pela identificação de valores culturais. Ensino e aprendizado são vistos como atividades que ocorrem num plano pessoal-psicológico. Uma abordagem inspirada em acquisition valoriza o ato comunicativo e desenvolve a autoconfiança do aprendiz.
Exemplo clássico de language acquisition são os adolescentes e jovens adultos que residem no exterior durante um ano através de programas de intercâmbio cultural, atingindo um grau de fluência na língua estrangeira próximo ao da língua materna, porém, na maioria dos casos, sem nenhum conhecimento a respeito do idioma. Não têm sequer noções de fonologia, nem sabem o que é perfect tense, verbos modais, ou phrasal verbs embora saibam usá-los intuitivamente.

leia mais aqui

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A hipótese da ordem natural


A hipótese da ordem natural  (the natural order hypothesis)
autor:Stephen Krashen
tradução: Eduardo Portela

De acordo com a hipótese da ordem natural, adquirimos partes de uma lingua em uma ordem previsível. Alguns ítems gramaticais, por exemplo, tendem a ser adquiridos antes do que outros.


A ordem na qual adquirimos a primeira lingua é similar à ordem de aquisição do segundo idioma, porém não idênticas. É fato , por exemplo, que o gerúndio (terminação -ing; dancing, walking, eating)  é adquirido relativamente cedo na primeira lingua, enquanto que a terceira pessoa do singular (he, she, it) é adquirida posteriormente. A terceira pessoa do singular pode aparecer de seis meses a um ano após a aquisição do gerúndio.

Na aquisição de uma segunda lingua em adultos, o gerúndio também aparece relativamente cedo, mas a terceira pessoa do singular pode nunca aparecer.

É comum ouvir pessoas que falam Inglês muito bem como segunda lingua, mas que ainda não utilizam corretamente a terceira pessoa do singular.

Nem todos os alunos seguem a mesma ordem no processo de aquisição, ainda que essa variação não seja muito expressiva. Existe um claro ordenamento "padrão" da aquisição.

Há três fatos extraordinários sobre o fenômeno da ordem natural:

1- A ordem natural não é baseada em características óbvias de simplicidade e complexidade. Algumas regras que aparentam ser simples (ex. terceira pessoa do singular) só são adquiridas a posteriori. Outras regras aparentemente complexas aos olhos dos linguistas, são adquiridas antes. Isso representa um problema para os autores de livros que apresentam as regras numa escala da mais simples para a mais complexa. A regra pode parecer simples para um linguista, mas poderá ser adquirida só posteriormente.

2- A ordem natural não pode ser alterada. Ela é imune ao ensino deliberado. Não é possível alterar a ordem natural através de explicações, simulados, ou exercícios. O professor pode fazer chamada sobre a terceira pessoa do singular durante várias semanas, mas ela não será adquirida até que o aluno esteja pronto. Isso explica uma boa parte da frustração existente entre alunos de uma segunda lingua.

3- Com base no supracitado, podemos pensar que a solução do problema seria simplesmente a de ensinar na ordem natural; bastaria descobrir quais itens são aprendidos antes e quais são aprendidos depois. No entanto, a ordem natural não é a ordem de ensino (voltarei a esse tema posteriormente).

[...]

A teoria da informação compreensível  (The comprehensible input teory)

Se o professor é capaz de fornecer uma boa quantidade de informação compreensível para seus alunos, as estruturas que estão prontas para serem adquiridas já se encontram presentes nessas informações. Não é necessário verificar se elas estão realmente lá, não é necessário focar em determinados pontos gramaticais.

Antes de prosseguir, é necessário dizer que a precisão gramatical é uma meta importante. O que se discute aqui é como atingir essa meta. O argumento é: a melhor forma de atingir precisão gramatical é através da apresentação de conteúdos compreensíveis, em substituição à instrução gramatical direta.


Todos nós nos lembramos de aulas centradas na gramática. Os alunos focam em uma regra por vez, e quando esta tenha sido "dominada", passam para a próxima. Isso simplesmente não funciona:

1- E se o aluno faltar à uma aula? Se a aula é centralizada na gramática, esse aluno acaba de perder a "regra do dia". No entanto, se a aula é baseada em conteúdos compreensíveis, esse problema não existe. Toda aula contará com um rico fornecimento de gramática e vocabulário, e existirão muitas chances para que os alunos adquiram  esse conhecimento, enquanto que numa exposição gramatical há uma única chance - a não ser que sejam feitas revisões.

2- Ainda que todos nós passamos pelo mesmo processo de aquisição, existem variações individuais. Alguns alunos irão progredir mais rapidamente que outros. Alguns alunos adquirem linguagem fora da sala mais do que outros. Se a "regra do dia" for por exemplo o passado, é provável que alguns alunos já o tenham adquirido, enquanto que outros podem não estar prontos para isso. Com o método de informação compreensível, todos serão contemplados, ainda que o próximo passo não seja o mesmo. Não é necessário saber exatamente onde cada aluno se situa em termos de desenvolvimento linguístico; o que é necessário é fornecer o máximo de informação compreensível.

3- Para ensinar gramática, o professor precisa saber gramática, e essa é uma tarefa cada dia mais difícil. A cada nova descoberta, a cada nova regra gramatical e cada nova regra de competência sociolinguistica,  a grade curricular fica mais e mais complexa, e nunca irá terminar. No entanto, se a informação compreensível for farta, os alunos irão absorver as regras que os professores e os bons autores utilizam, mesmos eles não saibam conscientemente as regras gramaticais.

4- O problema mais sério com relação ao um ensino baseado em gramática é que ela é extremamente chata. É muito difícil dizer coisas interessantes e compreensíveis quando por trás disso existe uma agenda gramatical oculta.

(continua)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A Aquisição de uma segunda língua


 A AQUISIÇÃO DE UMA L2
(Algumas variáveis cognitivas e afectivas)
MARIA DE FÁTIMA A. CUNHA ARAÚJO

A investigação mais recente sobre o estudo de uma segunda língua confirma a hipótese de que os processos de aquisição (formulação inconsciente de princípios gramaticais) e de aprendizagem (o estudo consciente, de base cognitiva, da gramática) representam dois sistemas de interiorização do conhecimento da língua.
Por outro lado, e de acordo com um corpo de pesquisa cada vez mais volumoso, o grau elevado de insucesso no desenvolvimento da capacidade comunicativa na L2 (segundo idioma) deve-se fundamentalmente ao facto de as metodologias tradicionais terem considerado o estudo da língua como actividade intelectual, secundarizando (ou não considerando mesmo), entre outras, as variáveis afectivas.


Estamos perante uma viragem com implicações metodológicas profundas: a focalização desloca-se da formalização para os sentidos das comunicações genuínas, para as mensagens; a compreensão precede a produção; durante as actividades de aquisição os professores não fornecem feedback directo para os erros, de modo a não inibir a participação dos alunos em interacções comunicativas; nas primeiras fases de aquisição o vocabulário é mais importante para a compreensão do que as estruturas de superfície da sintaxe; as regras de gramática têm um lugar importante apenas na fase de edição. Para além de muitas outras.(....)


(...)O fracasso das metodologias tradicionais no desenvolvimento de uma capacidade comunicativa entre os estudantes de um L2 é por demais evidente. Fundamentadas no pressuposto da fragmentação da língua em unidades a ensinar/aprender, em termos de individualidade, e apoiadas numa perspectiva de aprendizagem mecânica, privilegia-se nelas o formalismo e a actividade meramente cognitiva, assente na monitorização permanente, inibidora da comunicação efectiva e consequente. (...)


texto completo

terça-feira, 11 de maio de 2010

'Melhores professores de inglês não são britânicos nem americanos', diz linguista


  Foto: Fernanda Calgaro/G1 
Para David Graddol, o ideal é que o docente fale a mesma língua do aluno.
Especialista diz que o ensino do idioma no Brasil tem décadas de atraso.

Fernanda Calgaro Do G1, em São Paulo


Ao contrário do senso comum, o melhor professor de idiomas não é o nativo, mas aquele que fala também a mesma língua do aluno. A vantagem desse profissional está na capacidade de interpretar significados no idioma do próprio estudante. Com a hegemonia ameaçada no caso do inglês, professores americanos e britânicos devem reavaliar a maneira como ensinam o idioma.

As conclusões fazem parte de duas pesquisas desenvolvidas pelo lingüista britânico David Graddol, 56 anos, a pedido do British Council, órgão do governo do Reino Unido voltado para questões educacionais.

No Brasil para participar de seminários sobre língua estrangeira, ele avalia que o ensino do inglês nas escolas brasileiras está muitas décadas atrasado em relação a outras nações e sugere que o país aproveite os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo para tentar correr atrás do prejuízo.

Durante 25 anos, Graddol foi professor da renomada UK Open University e atualmente é diretor da The English Company e editor da Equinox Publishing. Ele prepara um terceiro estudo, este focado mais na Índia, que será publicado até o final do ano. Leia abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao G1.

G1 – Qual o perfil ideal de um professor de idiomas?
David Graddol -
O melhor professor é aquele que fala a língua materna de quem está aprendendo o idioma. Também é preciso ser altamente capacitado e ter um ótimo domínio do idioma, claro.





  • Aspas Muitas pessoas ainda pensam que os melhores professores são os nativos. Minha opinião é que elas estão erradas"
G1 - O sr. considera então que os professores nativos estão perdendo terreno para outros que falam também a língua do aluno?
Graddol -
Sim e não. O que acontece é que, usando uma metáfora, o bolo geral está crescendo, porque atualmente há cerca de 2 bilhões de pessoas aprendendo inglês ao redor do mundo. O fato de o Reino Unidos e os EUA estarem perdendo essa fatia de mercado é enganoso, porque a participação deles também está crescendo. No entanto, o bolo está crescendo mais e mais rápido. Em muitos países, há reminiscências românticas acerca do ensino de inglês. Muitas pessoas ainda pensam que os melhores professores são os nativos. Elas pagam inclusive a mais por isso. No entanto, minha opinião é que estão erradas. O que deve ser mudada é a maneira como o inglês é ensinado.

G1 - Como assim?
Graddol -
O inglês passou a ser encarado como uma necessidade. Muitos países se relacionam e fazem negócios entre si por meio do inglês, sem que nenhum deles tenha o inglês como primeiro idioma. Em muitos lugares, o inglês deixou de ser ensinado como língua estrangeira, como na Cinha e Índia, onde o inglês passou a ser considerado uma habilidade básica. Nesses países, os estudantes começam a aprender o idioma já nos primeiros anos escolares. A ideia é que mais tarde, quando atingirem o ensino médio, passem a ter aulas de outras disciplinas por meio do inglês. Historicamente, falar uma língua estrangeira era sinal de status. Agora, o que acontece é que as pessoas estão genuinamente tentando universalizar o idioma.

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